quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

... deixo-te ...



Deixo-te ser horizonte,
céu de constelações,
voo sem asas.
 em infinitudes minhas.

Deixo-te em guerra,
batalha íntima,
coração solto,
em amores meus.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

poesia na vida


Repito-te na maré cheia,
quero-te mais na vazia,
sou assim,
resistente na persistência
de voltar,
mudar,
e não abdicar de ti.

Repito-te na desfolha,
atalho-te mais na floração,
sou assim,
clima sem estação,
resposta sem pergunta,
em pequenos nadas,
no tudo despejado.


Quando tu me existes
vejo poesia na vida.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

beijo



quero um beijo
eternizado
de sabor a musgo
húmido
em tronco vivo
desapressado
segregado em tua boca
desejado
suspenso na suavidade
vagoroso 
de crescimento cristalizado
aqui
agora

quero um beijo
do teu corpo
com textura
de tua boca
para sempre
em mim

domingo, 20 de novembro de 2016

já agora, chá !



Chove no meu chá
a lágrima passada,
íntima,
confidente de sempre.

Chove no meu chá
o sorriso por nascer
auspicioso,
esperança de amanhã.

Chove no meu chá
a impaciência presente,
desafiadora,
prometedora de aqui,
já agora.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

sem (a) razão


Tenho sementes em minhas mãos,
amor para plantar,
desejos que me sobram
entre dedos em busca de chão.

Tenho frutos em mim,
ternura para doar,
vontades que me excedem
entre peles em busca de corpo.

Tenho paixão em espera,
chama para atear,
querenças que me transcedem
entre insanidades em busca de verdade.

Tenho coração cor de rosa 
multiplicado em terra sem razão.



domingo, 6 de novembro de 2016


Há uma luz por acender,
um fogo a atear,
um desejo por saciar,
um beijo por provar,
um sonho a concretizar,
uma mão a dar.

Há novo
em cada segundo,
começo
e recomeço,
no êxtase do desafio,
nas cinzas por acontecer.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The World

Tanta diferença,
tanta cor, 
tanto mundo!


Sou,
apenas,
mais um ponto,
uma pincelada 
por escorrer,
das mãos
de um pintor 
por nascer.

Sou vida
sem ser nada,
o todo
em partícula ínfima.

Sou desigualdade
em terra fértil
de uniformidades
suprimidas
no grito do ser,
de eco mudo.

Sou diferença,
sou cor,
sou (o) mundo !

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

por entre dedos


Sei de cor
cada linha de tua mão,
o perfume do teu toque,
a temperatura da tua pele,
a humidade da maresia
que se solta 
por entre dedos.

De olhos fechados
percorro cada curva,
rumo sem norte,
em estrada de 'nós'
trazidos na maré,
por entre dedos.



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

floral

Brotam flores
do teclado
onde te escrevo.

Chove lá  fora,
primavera-se aqui.

Não sei que te diga,
as palavras soltam perfume,
as pétalas cobrem-me o olhar.

É tudo floral
na germinação da Web.

sábado, 22 de outubro de 2016

de ti


Desdobras o teu olhar
em vincos doces,
como se estendesses toalha
em preparação de banquete.

Dasatas tuas mãos
em nós mansos,
como se servisses doçura
em mesa de sobremesas.

Dasabotoas o teu corpo
em prazer insinuado,
como se te oferecesses
em época de natal.

Desalinhas teu cabelo
em loucura sem espera,
como se desorganizasses
a cama onde me deito.

Desagregas o meu ser
em fusão plena,
como se quisesses
suspender-me em ti.


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

em bicos de pés


Aclara-se o som,
solta-se a melodia,
no balanço do teu ritmo.

Cresço,
em bicos de pés,
sobrando-me
em peso
que já não é meu.

De extremidades frias,
arrepio-te um sorriso,
estremeço-te um olhar
em dança só nossa.

Ensaia-se o tom,
cristalino,
 como poesia
em forma de ti.

Deslindam-se intimidades
na pauta sem claves,
página branca,
por onde rodopiamos
escrevendo toadas
no calor do teu corpo.



domingo, 16 de outubro de 2016

com pérolas


Só porque sabes
do meu gosto 
por pérolas,
não me podes 
aprisionar nelas,
fazer-me refém
das tuas fantasias,
de teus desvarios,
das tuas vontades
mais secretas.
Pois, 
não podes!
Mas, eu deixo!
Prende-me,
ata-me...
... com pérolas.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Cristalizada

Percorro cada instante,
agarro o momento
de cada urgência minha,
como se fora eternidade,
em premente necessidade
da tua quietude,
do teu afago,
de ti.

Trilho cada miragem,
revolvo o olhar
em cada profundidade minha
como se fora caminho,
em inevitável iminência
da tua margem,
da tua proximidade
da tua orla.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

da tentação


"A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder a ela!"

(tradução literal)

Oscar Wilde


Alguém me fala da tentação,
eu não entendo.

Fico-me no instante,
perco-me no olhar,
em cegueira supérflua.

Sobejo-me em 
desenfreados pensares,
esqueço-me de respirar.

Livro-me dela, ao ceder?
Resisto-lhe?
Ou abro a caixa de bombons
e,
simplesmente,
provo o manjar,
em tentação?!



"Posso resistir a tudo, menos à tentação."

Oscar Wilde


domingo, 9 de outubro de 2016

sem palavras



São palavras os teus beijos,
com que me escreves,
 onde me conto.

Histórias pontuadas
em plenitudes exclamadas,
reticentes ou sem ponto final.

As interrogações fazem parte
da  ortografia que te é peculiar,
usa-las na ponta dos dedos,
de mãos cheias.

Riscas-me o ser
por entre traços
que emergem intimidades,
escondidas,
segredos desconhecidos,
em transcendências do mais além,
profundidades
que desejo.

A tua caligrafia sabe de mim,
em letras inscritas 
com o teu corpo,
nas cartas sem selo,
no teu querer manuscrito.

São livros os teus lábios,
com que me romanceias,
onde me folheio.

Pérola


terça-feira, 4 de outubro de 2016

presa



São laços de veludo
que me prendem,
vermelho escarlate
ou púrpura divino,
não o sei.

Limitam o vento,
e a chuva 
que cantam
lá fora,
onde não chego.

Quero lançar
minhas pétalas
ao espaço,
em vácuo
que me será casa,
onde me preencho 
e serei completa.

São correntes
enlaçadas,
ferrugem amaciada no tempo,
ilusão da suavidade
de cadeado por  abrir.

Estou presa em mim, 
algema em veia
a passar-me no coração.

Pérola


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

humanidades em questão


Porque sangra alguém
por decisão de outro?

Porque não dás a mão
a quem a ti suplica?

Porque a guerra 
se tornou regra?

Porque a indiferença
faz mais estragos 
do que a diferença?

Porque há tanta alma
sem corpo
e corpos sem almas?

Porque sou assim?

Porque a voz do olhar
não é suave e meiga?

Porque não escolhemos
o amor?



sábado, 1 de outubro de 2016

... quero ...


Quero traduzir-te
sem idioma.

Quero legendar-te
sem palavras.

Quero decifrar-te
sem pudor.

Quero adivinhar-te
sem noção.

Quero descobrir-te
sem roupa.

Quero ler-te
sem fôlego.



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

?... ! ; " : " .



* Gastam-se as palavras?

* Desbotam as interrogações quando lavadas em exclamações?

* Desaparece o ponto final na viragem do parágrafo?

* Pode o silêncio falar mais do que qualquer verbalização, imagem ou escrita?

* Vive-se na paragem das vírgulas da vida?

* Escorremo-nos no corpo das reticências?

* São as aspas sombra ou luz?

* Tendemos para o equilíbrio quando somos o ponto e a vírgula?

* Explicações são precisas em pontos encavalitados?

* Não sei, ponto.



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

mulher


Mulher, senhora de si,
rocha firmada em areias movediças,
dona de raízes,
caules 
e botões a desabrochar.

Dama, vestida de lady,
nudez frágil a quem sabe ver,
rainha de nadas, 
coisas algumas,
por acontecer.

Princesa, sem príncipe,
contradição por legendar,
espera inquieta, 
desassossegada, 
no quê, 
porquê e porque não.

Mulher, insana,
carência florida em pétalas já desfolhadas,
leve no excesso de se ser,
de se querer ser,
em sonho de outro.

domingo, 25 de setembro de 2016

beach, please



Faço ninho,
em areia beijada pelo mar,
com fragilidades
recolhidas por ali.

São desejos entrançados,
sonhos em forma de teto,
 apetites espalhados pelo chão.

Monto tenda,
sem cimento ou tijolo,
em atrevimentos suspirados,
sem medo ou ideal,
como acampamento por agora.

É a tua praia
que me chama,
o salgado da tua pele 
por provar,
as linhas do teu corpo 
por escrever.




quinta-feira, 22 de setembro de 2016

sem mãos


Faço o mundo
com uma mão cheia de nada
e outra vazia de tudo.

Tenho na mão
um punhado de alguém,
flores de outras sementeiras,
pedaços de outras partes.

Floresço-me por entre dedos
nascidos por aí,
em raízes íntimas
da natureza em germinação.

Sou-me vida bravia,
perdendo-me e achando-me
na palma da mão,
minha ou, talvez, não.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

na lua


Esconde inventos,
mitos e precauções.

É mistério, 
segredo ferrolhado,
tão profundo,
nem tem chão.

Segreda possibilidade,
demora e horizonte.

Derrama audácia
como se atrevimento fosse
cautela.

Envolve o meu ser 
em neblina que ninguém sopra.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

permitir-se


Não sei se ouse, não.
Atrevo-me e depois vem de lá
o dedo apontado, o juízo
sem contar com a culpa.


No verbo permitir habita
a coragem, a audácia 
e o sorriso.

Há caminho aberto,
eventualidades
e aventuras anfitriãs.

Viver sem permitir-se
é como rio sem foz,
ave em gaiola,
mar sem maré,
sol sem dia.

Permito-me.

Há que permitir-se
sob pena do vazio
do aconchego,
 da acomodação,
de se ser por inteiro.

Dou-me permissão 
para permitir . . . ouso, pois claro.


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

das pérolas



E porquê o fascínio das pérolas?- poderiam perguntar alguns.

Bem, para começar o meu nome de batismo tem a ver com elas:


Depois, a pérola é fruto duma irritação dum ser vivo, a ostra.
É interessante constatar como as coisas belas podem surgir de rejeições e obstáculos, não acham?

Por outro lado, quem não gosta de pérolas?
Sejam elas 'originais', de cultura ou mesmo de plástico.

Tornaram-se  um acessório indispensável nos pertences da maioria das pessoas.
Se observarem bem, de certeza que terão algo como a madrepérola ou mesmo pérolas bem perto de vocês.

Confesso que gosto muito delas e, de quando em vez, até me sinto uma delas.

Para além do mais, 
mulheres da blogosfera, 
na dúvida...usem (sempre) pérolas
ou não fossem elas apropriadas para toda e qualquer ocasião.